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Este pode ser o próximo país a pisar na Lua

Redação Recifes
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Este pode ser o próximo país a pisar na Lua
Foto: Luis Becerra Fotógrafo / Pexels

A Coreia do Sul colocou a Lua no centro de uma ambiciosa estratégia para ampliar sua presença no espaço. O governo de Seul estabeleceu 2030 como prazo para uma missão nacional de pouso lunar, em um plano que também prevê uma segunda missão quatro anos depois.

A meta faz parte de uma agenda anunciada nesta quarta-feira (12) pelo presidente Lee Jae Myung, durante uma reunião na Casa Azul. O projeto reúne sete áreas consideradas estratégicas para criar novas fontes de crescimento além dos semicondutores e da inteligência artificial.

A iniciativa prevê ainda avanços em reatores nucleares de pequeno porte, fusão, energia renovável, computação quântica, biotecnologia e cadeias de minerais críticos. A intenção do governo é transformar essas áreas em ativos estratégicos capazes de sustentar a competitividade sul-coreana nas próximas décadas.

Da Lua à computação quântica: o plano sul-coreano para a próxima década

O programa, batizado de “Sete Grandes SEED”, foi apresentado como uma resposta aos desafios econômicos e demográficos enfrentados pelo país. Com a redução da população em idade ativa e uma perspectiva de crescimento potencial mais lento, Seul pretende antecipar investimentos em setores que possam se tornar decisivos para a economia e para a segurança nacional.

No setor espacial, o calendário é particularmente agressivo. A primeira missão lunar planejada pelo país deverá ocorrer em 2030, seguida por uma nova operação em 2032. Paralelamente, o governo quer construir, até 2035, uma rede própria de comunicação por satélites em órbita terrestre baixa.

A estratégia espacial não se limita às missões lunares. A Coreia do Sul também pretende desenvolver tecnologias para centros de dados instalados no espaço e ampliar sua participação em programas de aeronaves comerciais de próxima geração.

Outro eixo envolve a energia nuclear. O governo estabeleceu 2035 como horizonte para levar ao mercado um reator modular pequeno desenvolvido no próprio país. Também está prevista, ao longo da década de 2030, a construção de reatores que não utilizem água leve, enquanto a geração de eletricidade baseada em fusão é projetada para o fim dos anos 2030.

Na área de fontes renováveis, o plano contempla células solares de eficiência elevada, novas tecnologias para geração eólica offshore, sistemas de produção de hidrogênio e ferramentas de inteligência artificial destinadas à operação das redes elétricas.

A computação quântica recebeu uma meta igualmente específica. Seul quer desenvolver, até 2029, um processador quântico doméstico com 100 qubits e, seis anos depois, alcançar a liderança mundial na fabricação de chips destinados a essa tecnologia.

A biotecnologia também aparece como uma das apostas de longo prazo. O governo pretende estruturar uma infraestrutura de inteligência artificial voltada à biologia até 2030 e levar produtos de interface cérebro-computador ao mercado até 2035. O pacote inclui ainda apoio à descoberta de medicamentos com IA, laboratórios autônomos e terapias avançadas baseadas em genes e células.

Na frente de matérias-primas estratégicas, a prioridade será reduzir vulnerabilidades das cadeias de abastecimento. Entre as medidas estão o aumento do processamento e da reciclagem doméstica de minerais críticos, a ampliação dos estoques estratégicos e a diversificação das fontes externas de fornecimento.

Para sustentar esse esforço, o governo prevê aplicar 10 trilhões de wons, equivalentes a cerca de US$ 7,1 bilhões, até 2030 em tecnologias relacionadas a materiais, componentes e equipamentos.

A execução do programa deverá contar ainda com uma força-tarefa formada pelos setores público e privado. O grupo terá, entre suas atribuições, acelerar a chegada dessas tecnologias ao mercado por meio de mudanças regulatórias.

A aposta sul-coreana, portanto, vai além de uma corrida para chegar à Lua. O projeto tenta criar simultaneamente novas capacidades industriais, energéticas, científicas e espaciais, aproveitando o atual ciclo de expansão dos semicondutores e da inteligência artificial para preparar os próximos motores de crescimento do país.

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Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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