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Precisamos falar sobre a velhice dos pets: veja dicas para que o seu viva mais e melhor

04 de September de 2026 0 leituras
Precisamos falar sobre a velhice dos pets: veja dicas para que o seu viva mais e melhor
Foto: RUN 4 FFWPU / Pexels

A idade chega para todos, inclusive para os animais. Por volta dos 7 anos, em média, dificuldades para se locomover e falta de disposição denunciam a chegada da maturidade de cães e gatos.

O momento exige cuidado redobrado, mas muitas famílias ignoram os sinais. Segundo uma pesquisa encomendada pela Royal Canin, 49,8% dos brasileiros evitam falar sobre o envelhecimento dos bichos.

“Quanto antes quebrarmos esse tabu, mais cedo conseguiremos adotar estratégias para preservar mobilidade, cognição, massa muscular e qualidade de vida”, afirma Priscila Rizelo, gerente de Comunicação e Assuntos Científicos da empresa.

Check-ups e adequação de exercícios e dieta são fundamentais para que os pets vivam mais e melhor. 

Assunto sensível

O que disseram os mil participantes do levantamento nacional

  • 71% se sentem tristes ao pensar no envelhecimento de seus animais 
  • 49,8% evitam falar sobre a velhice de cães e gatos, mesmo que evidente 
  • 35,2% não seguem hábitos preventivos, pois o pet aparenta estar bem 
  • 34,3% pensam na velhice dos bichos apenas quando surge um problema de saúde 
  • 38,7% não querem enxergar o animal como sênior, por considerá-lo parte da família 
  • 57,5% veem os pets como filhos ou irmãos — membros centrais do clã
  • 36% gastam mais com presentes para os bichos do que com os próprios parceiros 

Palavra de Especialistas

Leia a seguir a entrevista com Priscila Rizelo, gerente de Comunicação e Assuntos Científicos, e a Carla Pistori, diretora de Assuntos Corporativos, ambas da Royal Canin Brasil.

VEJA SAÚDE: Por que o envelhecimento dos pets é um tabu para os brasileiros?

Priscila Rizelo: Existe um componente emocional muito forte nessa relação. Hoje, cães e gatos ocupam um espaço afetivo semelhante ao de outros membros da família, então falar sobre envelhecimento desperta sentimentos que muitos preferem evitar.

Mas acredito que exista outro fator importante, durante muito tempo fomos acostumados a pensar que envelhecer era sinônimo de adoecer. Isso aconteceu com as pessoas e também com os animais.

Ao mesmo tempo, vivemos hoje uma realidade muito positiva: os avanços da Medicina Veterinária, da nutrição e dos cuidados preventivos contribuíram para que cães e gatos vivam mais.

O nosso desafio agora é fazer com que essa maior longevidade venha acompanhada também de saúde e qualidade de vida. A Medicina Veterinária está propondo uma mudança nesse olhar.

O envelhecimento não deve ser encarado como uma sentença ou como uma certeza de doença, mas como uma fase natural da vida que pode, e deve, ser acompanhada e planejada.

Quanto antes entendermos isso, mais cedo conseguimos adotar estratégias para preservar mobilidade, cognição, massa muscular e, acima de tudo, qualidade de vida.

Um dos desafios é que muitos sinais iniciais do envelhecimento são sutis e acabam sendo vistos simplesmente como “coisas da idade”.

Um pet que brinca menos, hesita antes de subir no sofá ou muda seus hábitos pode estar dando sinais que merecem atenção. Reconhecer essas mudanças precocemente permite agir antes e oferecer um cuidado mais individualizado para cada fase da vida.

Quando os responsáveis por pets deixam de evitar o assunto e passam a compreender o processo de envelhecimento, tendem a se sentir mais preparados e menos ansiosos para lidar com essa fase.

Conhecimento reduz medo e favorece decisões mais conscientes e preventivas. E, quando falamos de envelhecimento saudável, antecipar-se faz toda a diferença.

VEJA SAÚDE: Hoje em dia, como a ciência pode ajudar os animais a terem uma velhice mais saudável?

Priscila Rizelo: Nos últimos anos, a Medicina Veterinária passou por uma transformação importante. Antes, nosso foco era tratar doenças depois que elas apareciam. Hoje, cada vez mais falamos em preservar a saúde antes que essas doenças apareçam e agir precocemente para retardar sua progressão.

A gerociência veterinária parte justamente desse princípio, o envelhecimento é um processo biológico sobre o qual podemos atuar. Não significa impedir que ele aconteça, mas retardar perdas funcionais e aumentar o período de vida com saúde.

Esse conceito é conhecido como longevidade saudável e já orienta diversas pesquisas internacionais.

E já temos evidências concretas de como nossas escolhas podem fazer diferença. Hoje já sabemos, por exemplo, que cães com obesidade vivem, em média, cerca de dois anos e meio a menos do que aqueles mantidos em condição corporal ideal.

É um dado muito significativo, porque mostra que algo aparentemente simples, como manter um peso saudável, pode ter um impacto concreto não apenas na qualidade de vida, mas também na longevidade.

Além de viverem mais, esses cães também desenvolveram doenças crônicas mais tardiamente. É um exemplo muito claro de como a nutrição e o controle do peso podem influenciar não apenas a longevidade, mas também a qualidade dos anos vividos.

Outro exemplo importante vem de gatos com doença renal crônica, uma doença bastante prevalente em gatos idosos. Estudos demonstram que a utilização de dietas especificamente formuladas, incluindo a restrição adequada de fósforo, pode contribuir para retardar a progressão da doença e aumentar a sobrevida.

Ou seja, mesmo quando uma doença já está presente, intervenções nutricionais baseadas em evidências podem modificar sua evolução e proporcionar mais tempo com qualidade de vida.

Mas a nutrição é apenas um dos pilares.

Uma abordagem integrada inclui também a manutenção da massa muscular, controle do peso corporal, atividade física compatível com cada fase da vida, estímulos cognitivos, monitoramento laboratorial periódico e identificação precoce de alterações que ainda não provocam sintomas evidentes.

Em outras palavras, estamos deixando de praticar uma medicina predominantemente reativa para avançar em direção a uma medicina cada vez mais preditiva, preventiva e personalizada.

O objetivo não é simplesmente acrescentar anos à vida, mas acrescentar mais vida, saúde e bem-estar a esses anos.

+Leia também: Enriquecimento ambiental: 5 formas de estimular seus pets

VEJA SAÚDE: É necessário pensar em políticas públicas para o bem-estar de pets seniores?

Carla Pistori: O envelhecimento da população de cães e gatos é uma realidade que deve ganhar cada vez mais atenção nas discussões sobre o bem-estar animal. Hoje, ainda não existem políticas públicas voltadas especificamente aos pets seniores, mas vemos um movimento importante de fortalecimento do marco regulatório para a proteção animal.

Há propostas em tramitação, como o Código Federal de Bem-Estar Animal, o Estatuto dos Cães e Gatos, dentre outros, que estabelecem diretrizes para guarda responsável, saúde e proteção dos animais, além de reforçar temas como educação e cooperação entre os entes públicos.

Embora não tenham foco específico na longevidade, esses projetos representam um avanço importante para consolidar uma agenda nacional sobre o tema.

À medida que os pets vivem mais, acreditamos que a discussão sobre envelhecimento saudável tende a ganhar relevância também nas políticas públicas.

Isso passa por incentivar ações de educação para os responsáveis, ampliar o acesso à informação, fortalecer a guarda responsável e promover a prevenção ao longo de toda a vida do animal.

Na nossa visão, construir esse futuro é um esforço coletivo. Poder público, médicos-veterinários, academia, organizações da sociedade civil e empresas têm papéis complementares para ampliar o conhecimento sobre o envelhecimento dos pets e criar um ambiente que favoreça uma vida mais longa e, principalmente, com mais saúde e qualidade.

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Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de saude.abril.com.br.

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